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Um divisor de águas da ficção científica e uma obra prima de Ridley Scott

A primeira vez que vi o filme Blade Runner – O Caçador de Andróide confesso que fiquei em estado de choque tal a grandiosidade do espetáculo visual, pelo roteiro que faz o espectador pensar sobre a finitude da vida e outras questões filosóficas e a trilha sonora de Vangelis. Ridley Scott, sem sombra de dúvida, foi o responsável por produzir um divisor de águas da ficção científica. Interessante notar que este filme não teve muita repercussão na mídia e de bilheteria quando lançado, mas tornou-se, com o passar do tempo, um verdadeiro Cult Movie celebrado mundo a fora. Hoje se tem noção da importância real deste filme. Tanto que Ridley Scott resolveu lançar anos depois a “Versão do Diretor”. De minha parte sempre amei este filme e percebi, de imediato, sua relevância e importância como uma verdadeira obra prima cinematográfica.

A cena que quero ressaltar aqui é o momento final do filme quando o andróide Roy Batty (Rutger Hauer) que já com seus quatro anos de vida “vencida” e em processo de “morte” se encontra com seu inimigo Deckard (Harrison Ford) no alto de um grande arranha céus. Este momento é importante na medida em que tomamos ciência de quanto é importante (tanto para humanos como para andróides) entender o significado de vida e morte. Neste momento em particular tanto Roy como Deckard estão no limiar da morte e entendê-la e aceitá-la é algo difícil. Refletir sobre a trajetória de vida que ambos seguiram até este momento e seus significados filosóficos e, acima de tudo, entender os destinos que cada um teve que trilhar nesta jornada. Criador e Criatura unidos num mesmo momento angustiante e revelador: O momento da morte.  Neste sentido, o monólogo de Roy Batty e sua ação imediata é revelador: “Eu vi coisas que vocês não acreditariam. Naves de ataque em chamas perto da costa de Orion. Vi a luz do farol cintilar no escuro na Comporta Tannhauser. Todos estes momentos se perderão no tempo como lágrimas na chuva. Hora de morrer.”

Todos estes momentos se perderão no tempo como lágrimas na chuva

O olhar de espanto de Deckard ao presenciar a “morte” do andróide e a grandeza de Roy em permitir que o humano viva é algo emocionante. A criatura, no momento em que entende e aceita a própria morte consegue, de forma espetacular, perdoar e permitir que o ser humano viva porque sabe que viver é acumular experiências, sentimentos e prazeres. Nem sempre de alegrias, claro, mas viver o seu tempo não “programado” de quatro anos.  Unidos neste instante e com destinos tão parecidos em vida não é à toa que Deckard não consegue deixar de se apaixonar pela andróide Rachel (Sean Young). Em seu pensamento e na tentativa de encontrar uma “explicação” plausível para este romance ele acredita que a morte é inevitável e viver intensamente este romance é a única alternativa que lhe resta. Afinal, ninguém sabe o dia da própria morte. Só nos resta viver e amar.

Eis a cena final do filme com o monólogo revelador:

 

Claro que seria impossível não colocar neste espaço a trilha sonora de Vangelis. Aqui vai então uma edição do filme Blade Runner com a fantástica música “Love Theme”, deste incrível compositor. O clip mostra momentos inesquecíveis do romance impossível (ou possível) de Deckard e Rachel. Emocionem-se!

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