Sobre o Autor

Nasci em Porto Alegre dia 4 de Novembro de 1957.  Casado com Denise ha mais de 20 anos (anos estes muito felizes!) e pai de Adriano. Autodidata por formação, amante da Sétima Arte, devorador contumaz de livros (de todos os gêneros e autores) e um grande apreciador da boa música (principalmente bossa nova, jazz, clássica, MPB e instrumental). Procuro estar sempre conectado e atento a tudo que ocorre a minha volta e ter sempre uma opinião sobre os fatos e os acontecimentos nacionais e internacionais. Sou empresário do ramo de videolocação.

Segue abaixo parte da entrevista que concedi ao programa Cozinha do Inferna no site Cinema em Cena publicada dia 7 de Outubro de 2006.

Infância e Poliomelite

Sim eu tive paralisia infantil quando tinha um ano e meio. Minha mãe me falou que me deu uma febre de mais de 41 graus por dias e, ao levar-me ao hospital, eles perceberam que eu estava com poliomielite. Foi um choque pra toda a família e seis cirurgias depois na perna esquerda minha mãe resolveu que estava na hora de parar e me trouxe de volta para casa.   Estive numa instituição própria que cuida de crianças com deficiência física para fazer fisioterapia e para “aprender” a andar. Usava uma bota especial com barras de ferro como se vê normalmente em programas que tratam deste assunto. Mas também não conseguia caminhar. Minha mãe ficou inconformada com o “tratamento” e informou ao médico que me levaria para casa e que em pouco tempo eu andaria sozinho. Dito e feito. Pouco tempo depois comecei a caminhar sozinho.

A infância foi mais difícil porque criança não perdoa mesmo e diz o que tem que dizer. Claro que eu era excluído das brincadeiras de correr, pegar, esconde-esconde, futebol e outras que requerem preparo físico. Com o tempo fui percebendo que eu tinha outras qualidades e que ter um problema físico não diminuía em nada como ser humano. Afinal, todo mundo tem suas limitações: Físicas, mentais, comportamentais, de caráter. Enfim, ninguém era perfeito.

Na fase adulta, felizmente, nunca senti preconceito. Por timidez ou por me ater mais aos estudos e a leitura (até como forma de encontrar outras atividades para a minha limitação física) todo mundo sempre me respeitou. Eu tinha, e ainda tenho, muita facilidade de comunicação e uma paciência enorme em ouvir. Sempre fui uma espécie de “conselheiro” da turma. E não sei porque, mas as pessoas possuem uma facilidade enorme em se abrirem comigo e a contarem seus segredos mais íntimos. Mesmo aquelas que acabaram de me conhecer. Meu filho costuma dizer que eu deveria abrir um consultório sentimental ou um consultório psicanalítico. As histórias que me contam no balcão da locadora dariam um livro. Eu tenho esta capacidade de ouvir e de aconselhar e as pessoas percebem isto de imediato. Não sei como ou porque isto se dá comigo.

Fazendo um retrospecto nestes 48 anos de vida e se me fosse dado à possibilidade de ser uma pessoa “normal” fisicamente eu diria que não aceitaria modificar a minha vida. Porque eu sou o que sou e vivi a minha vida da melhor maneira que eu pude. Com minhas limitações físicas e tudo mais. Eu sempre trabalhei, estudei e formei uma família, da qual eu muito me orgulho, com esta limitação física. Assim como faz qualquer pessoa. Não gostaria de ser diferente do que eu sou ou naquilo que me tornei com o passar dos anos. Sou feliz do jeito que eu sou. Gostaria de ter feito mais sexo quando solteiro, isto é verdade. Mas minha mulher e eu estamos correndo contra a máquina para tirar a diferença neste particular hehehe.

Ser canhoto:

Não sei o que em ser canhoto ou destro, modifique alguma coisa na personalidade de alguém. Dizem, que quem é canhoto é mais inteligente. Claro que eu sou a exceção à regra. Apesar de ser do século passado, não fui castigado por isso. Minha mãe costumava dizer que achava lindo a pessoa que escrevia com a mão esquerda. Então, cá estou eu…. Aliás, sou canhoto, baixinho, quatro olhos, perneta e pobre. Não é à toa que casei virgem hehehe.

Casou virgem

Esta é uma pergunta fácil de responder. Não, não sou mórmon, crente nem coisa do gênero. Sou cristão por ensinamento familiar mas, agnóstico por opção e convicção. Também não sou nenhum monstrengo ou anormal que foi rejeitado pelas garotas e mulheres que cruzaram meu caminho. Nada disso. Foi por opção mesmo. Chances eu tive… Cantadas recebi… Mas eu nunca consegui entender como seria possível fazer sexo sem amor. Como me entregar a uma mulher sem amá-la! Sexo só pelo prazer carnal com prostitutas seria uma opção. Mas nunca tive coragem para tanto. Acho até que nem conseguiria ter uma ereção numa situação desta. Constrangedora demais para mim e, acredito, também o seja para a prostituta. Mecânico demais… Frio demais…E sexo sem beijo na boca? Nem pensar! Masturbação me foi o suficiente para os momentos mais prementes e inevitáveis. E foram muitas e muitas nas madrugadas insones da minha vida ou nas manhãs e tardes de uma sexualidade que exigia suas necessidades.

Por timidez talvez ou por não ter encontrado a mulher dos meus sonhos antes de conhecer a minha esposa, não senti necessidade de sexo, digamos assim, mais descompromissado. Nem foi por questões religiosas ou morais. Nada disso. Foi uma escolha simples minha: Só faria sexo com a mulher que eu amasse. Teria que me entregar de corpo, alma e, principalmente, de coração. É só assim que eu consigo entender sexo. Claro que existiram situações em que eu chegava a pensar que isto tudo era uma grande bobagem e que eu estava me “guardando” por um momento ou para uma mulher que nunca fosse existir.

Minha mãe dizia: – Larga estes livros, guri. Vai passear… Vai namorar… Vai pras festas. Sentado com os olhos só nos livros é que tu não vais casar nunca! Ou tu pensas que vai cair uma mulher do céu? Vai viver a vida!!

Eu lembro que respondia:

– O que é meu está guardado. Se um dia eu tiver que casar, será com a mulher que está destinada a mim. Ela vai aparecer e bater na minha porta!

Claro que eu achava tudo isso uma possibilidade remota e, com o tempo passando, isto só se confirmava e já estava pensando mesmo na possibilidade de minha mãe estar certa. Mas um dia a mulher dos meus sonhos bateu na minha porta. Literalmente.

Gostaria de ter sido uma pessoa diferente? Sinceramente não sei. Com certeza teria feito muito sexo, teria beijado muitas bocas e teria uma agenda com muitos endereços e muitas façanhas para contar hoje nesta entrevista. Mas fazendo um retrospecto até aqui, não me arrependo nem um pouco de ter me guardado para a minha mulher. Como recompensa, encontrei uma mulher que deu seu primeiro beijo na boca, na minha! Estamos casados há 17 anos e posso dizer que somos muito felizes. Nunca tivemos uma briga sequer. Esta história que todo casal tem lá suas briguinhas de vez em quando é coisa normal, não se aplica a nós. Somos apaixonados, amantes, amigos e companheiros. Tem algum segredo? Tem. Em uma palavra: AMOR.

Casamento

Claro que é preciso reinventar o sexo, caso contrário, vira  incesto e você acaba tendo relações sexuais com sua “irmã” hehehe.  Não devem existir barreiras e, ambos estando de acordo, é possível fazer muita coisa entre quatro paredes. Pode apostar, nós fazemos!  Pode tirar este sorriso do rosto seu safado… Eu não curto fio terra nem coisas do gênero! Aqui só sai, não entra nada hehehe.

Apaixonados sempre, felizmente.  Mais de vinte anos depois não tivemos a tão temida “crise do casamento” ao sete anos. Nem depois aos dez e aos quinze anos. Passamos incólumes e apaixonados. Espero que aos vinte tudo continue igual. Tem tudo pra ser…

Meu filho e sua educação

Ensinar meu filho para esporte realmente vai ser um problema. Será que é por isso que ele joga no gol? Mas o forte dele mesmo é o vídeo game e tocar guitarra, então não terei grandes problemas existenciais por causa disso. Ele até é Gremista! Vai saber porque!!

Meu filho se chama Adriano, nasceu dia 04.04.1990 tem, portanto, 16 anos. Está no 2º. Ano do Ensino Médio e há quatro anos faz curso de inglês na Wizard e já fez curso de violão (básico). Tem muita criatividade em desenho e faz uns trabalhos para a capa de seus CDs que a todos surpreende pela originalidade. Apesar de ser bastante tímido, é muito popular na escola entre seus colegas e professores. Até onde eu sei não tem namorada… Pelo menos não me apresentou nenhuma ainda.

Acredito que ele me tenha como exemplo sim. Aliás, sou da teoria que, além de ensinar, é preciso dar o exemplo. Neste particular, ele é um garoto de bom caráter e boa índole apesar de estar na adolescência, a fase mais perigosa do ser humano, pelas alterações que ela acarreta.

Nesta fase, adquirimos a consciência da própria existência como ser humano e nos vem àquela vontade de “voar”  e nos libertar da família e coisa e tal. Temos a necessidade de sermos nós mesmos e provar, aos pais, que temos capacidade de viver por nós mesmos. Mais tarde é que percebemos que foi só uma fase e a base da família é fundamental neste momento crucial. As tais “certezas” que tínhamos na adolescência transformam-se mais em questionamentos e dúvidas e a família é importante para mostrar o caminho certo quando a tal “realidade” bate à porta.

Meu filho, felizmente, está muito tranqüilo neste momento da sua vida. Não tenho nenhum problema com ele neste particular. Ele é bastante caseiro e sua rotina tem sido os estudos, o curso de inglês e tocar sua guitarra como um roqueiro desvairado… Não tem vícios e, graças a Deus, não pertence a nenhuma tribo destas que desvirtuam os jovens. Ele, assim como eu fui na minha adolescência, também é muito na dele e não se preocupa com os “modismos” ou o que a galera vai dizer sobre seu comportamento. Ele tem opinião própria e não abre mão.

Quanto à adoção nunca tive necessidade de adotar. Criar um filho já é o suficiente para mim. Não adotei propriamente, mas hoje estou ajudando a criar minha afiliada desde que nasceu (vai fazer um ano dia 24 deste mês) já que os pais trabalham e não podem cuidá-la durante o dia. Assim,  ela passa a semana toda conosco aqui em casa. É mais uma “adoção” afetiva que jurídica. Espero dar a ela o mesmo exemplo que dou ao meu filho.

Beijar, abraçar e dizer que eu amo meu filho????  Mas que pergunta é essa que se faz a um pai??? Mas é evidente que eu beijo, abraço e digo ao meu filho que eu o amo. Todos os dias! Aliás, toda vez que ele sai para o colégio ou para o curso ele beija pai e mãe. E ao deitar o ritual é o mesmo. Não vamos para a cama sem antes beijar nosso filho. Isto eu herdei da minha mãe. Ela sempre me beijava  antes de dormir e toda vez que eu saia de casa. São pequenos detalhes como estes que fazem a diferença na educação dos filhos.

Você pergunta se eu amo meu filho: Daria minha vida para salvar a dele. Muito mais que ser meu filho, ele é meu amigo e meu companheiro. Sou muito feliz por tê-lo como filho e saber que ele me ama igualmente.

Lado Mau

Realmente eu não faço tipo. Eu sou do bem… E minha sogra é um amor, felizmente. Tenho uma cadela chamada Laica. Sou uma pessoa centrada e, muitas vezes, acabo no prejuízo financeiro por não ser mais contundente ou criador de casos. Prefiro pagar o prejuízo a me estressar a toa. Claro que às vezes dá vontade de dar um soco na cara de uns e outros e partir para a ignorância… Mas eu conto até dez e deixo a cabeça esfriar para tomar uma atitude que realmente ponha um fim no caso. Eu sou de escorpião e nunca me esqueço de uma maldade. A pessoa até pode me fazer de bobo uma vez. Sem precisar dar um soco eu resolvo a parada de uma forma que a pessoa nunca mais vai esquecer que me fez de bobo na vida.

Eu saio do sério quando a pessoa não é honesta comigo. Quando não sou levado a sério. Pode aprontar comigo. Mas será só uma vez…

Opinião Alheia

Você pode discordar do meu pensamento ou das minhas opiniões. Você só precisa me convencer do contrário através da  palavra. Detesto puxa-saco e gente que só sabe dizer amém e parabéns. Prefiro uma crítica mordaz, mas sincera à um elogio eloqüente, mas falso.

Conciliador

Eu sempre fui uma pessoa conciliadora. Nunca briguei… Nunca parti para a luta corporal (até porque, apanharia mesmo hehe). Mas falando sério eu sempre procurei, na minha vida, ser uma pessoa do diálogo. Ver os dois lados da questão, ponderar, encontrar o meio termo. O consenso e a sensatez. Eu parto do seguinte princípio: Em uma discussão não importa quem está certo ou errado. Importa saber quem tem o bom senso. O bom senso dirime qualquer dúvida e ajuda a conciliar conflitos.

Sonho

Meu sonho sempre foi trabalhar com cultura. Gostaria muito de ser um agente cultural. Aquela pessoa que faz as coisas acontecerem através de eventos ou na  preparação de espetáculos culturais.

Gostaria de viver rodeado de livros e falar e discutir autores e suas obras. Ou ainda viver pelo teatro, não como ator, mas aquele que torna possível o espetáculo e vivenciar tudo o que ocorre por trás da cortina. Talvez atuar numa orquestra, não necessariamente como músico, mas conviver com eles e estar presente nas apresentações. Enfim, ser um agente cultural. Por diversas razões isto não foi possível. Primeiro financeiramente não tinha condições de comprar livros, então só entrava em bibliotecas para folhá-los. Teatro muito menos. Tornar-me um pianista só em sonhos. Só me restou mesmo atuar como agente cultural da sétima arte. Sim, porque eu considero meu ofício como divulgador de cultura. Porque cinema é arte.

Infelizmente o local onde está situado minha locadora é um bairro operário de classe C e D. Tenho, por esta razão, que adquirir mais filmes “pipocas” do que eu tinha em mente no início. Mas procuro fazer um bom trabalho de divulgação para tornar meus clientes pessoas mais ecléticas e com uma visão mais abrangente desta fantástica arte que é o cinema. Não é uma atividade fácil e mudar a concepção das pessoas é uma árdua tarefa. Ainda mais tratando-se de entretenimento, onde as pessoas não querem “pensar” mas só passar o tempo e comer algumas pipocas enquanto assistem o mocinho metralhando o bandido. Mas nestes anos todos tive alguns sucessos e muitos clientes hoje em dia são grandes cinéfilos e discutem comigo as inúmeras perspectivas do olhar cinematográfico. Claro que existem casos perdidos, mas não sou de me dar por vencido facilmente e a luta continua.

Hoje sou muito feliz no que eu faço. Claro que gostaria de ter a oportunidade de ver e oferecer aos meus clientes filmes europeus, asiáticos, latino-americanos ou os orientais. Filmes de boa qualidade e formar assim mais e mais amantes do bom cinema. Gostaria que a Moviola fosse um instrumento cultural e que transmitisse ao seu público uma arte transformadora e transgressora e que fosse possível, através do cinema,  modificar conceitos e opiniões. Ou até consolidá-los, porque não. Mas, acima de tudo, que meu negócio trouxesse a cada um individualmente o prazer que eu sinto ao assistir um bom espetáculo cinematográfico. Este é o meu trabalho e é esta a minha missão.

Religião

Eu não tenho medo da morte. Tenho medo, claro da forma como isto vai se dar. Por falar nisso, nunca pensei muito na morte a não ser na adolescência. Estranho, não? Por teoria, eu estaria mais longe da morte do que hoje com 48 anos hehe. Mas na adolescência eu tinha um certo medo de não conseguir realizar meus sonhos, de não ler todos os livros que eu desejava ou de constituir uma família. Tinha ainda tantos filmes para ver e lugares para conhecer e isto me dava uma certa angústia. Hoje não tenho mais. Claro que ainda existem muitos livros para ler, muitos filmes para assistir e um filho para criar. Mas não tenho mais a neura que tinha antes. Com a idade, se percebe a finitude das coisas e, inconscientemente, vamos aceitando mais a morte.

Quanto à questão ética, eu procuro seguir meu caminho da melhor forma possível. Respeitando meus semelhantes e realizando  meu trabalho honestamente. Respeito às leis e a convivência social dentro do bom senso e da harmonia. Não sou nenhum santo, como todo ser humano. Mas vivo desta maneira  por princípio próprio de acordo com minha natureza como indivíduo. Não deixo de fazer alguma coisa só porque a igreja ou o estado assim o determinam. Tenho opinião própria e clareza de pensamento para saber distinguir um ato hipócrita ou de uma opinião meramente formal. Não adianta nada o indivíduo ir à missa todo domingo e sair de lá e surrupiar o troco dado errado pelo caixa do supermercado. Não adianta nada o sujeito ter uma “espiritualidade” e amar os animais e tudo o mais e em seguida humilhar e ridicularizar os gays, por exemplo. Ou criar cães e gatos e não ser capaz de dar um prato de comida para uma criança que bate a sua porta com fome.

Meu guia é o respeito às diferenças, o convívio harmonioso entre o ser humano e a natureza que o cerca. Agir de acordo com minhas convicções e meus princípios. Se existe um Deus, não saberia responder categoricamente esta questão. Mas, na minha avaliação, não é este que está pregado na cruz nas pares das catedrais mundo a fora. Muito menos os outros Deuses nas milhares de religiões ou seitas igualmente dispersas por este planeta. Acredito até que Jesus tenha sido um homem de uma espiritualidade muito grande e que tenha feito grandes gestos de amor e auxiliado seu próximo naquela época. Assim como a Madre Tereza fez com seus pobres e os médicos anônimos fazem salvando vidas numa África carente de  amor e comida.  Ou a moradora de rua que criou uma escola em baixo da ponte em Porto Alegre e ensina crianças carentes o poder da palavra e do conhecimento. Aprendendo por osmose, já que ela é tão carente quanto eles.

Mas este Deus da Bíblia é só questão de poder e dinheiro. Não preciso colocar aqui o que foi as Cruzadas, a Inquisição e outras barbaridades e atrocidades cometidas em nome de Deus. E isto não é privilégio só da igreja católica, nas outras religiões também houve, e ainda existem guerras “santas” em nome de seus Deuses. Tudo é humano e terreno demais para ser divino. Estes Deuses, Santos e Divindades aos milhares, são uma forma de controle de seus líderes para com a massa necessitada de uma “muleta” ou um apoio para seguirem suas vidas.

Jesus, no início não era considerado imortal. Foi à igreja, através do Concílio de Nicéia que determinou que ele seria imortal, divino,  onipotente e onipresente. O Imperador Constantino I, espero que só ele, vendo que Roma estava dividida resolveu transformar a Igreja Católica numa causa política e de poder unificador de Roma. Pegou os evangelhos que eram de seu interesse e transformou Jesus, de um simples homem do povo, em um ser divino e imortal. Os evangelhos que não serviam aos seus interesses foram considerados apócrifos e muita coisa foi destruída e seus seguidores mortos brutalmente. Assim, percebe-se, ao longo da história, que religião é só uma questão de poder e dinheiro. O “pecado” é a arma que eles usam para tornar a todos seus cordeiros.

Meu Deus é diferente desta doutrina e destes livros. Meu Deus não está pregado em nenhuma parede. Minha crença é numa força superior. Sim, porque a grande explosão que a tudo originou deve ter algum propósito e alguma centelha criadora. Porque a criação não surgiu do nada. Nesta força cósmica eu acredito. Em energias positivas e negativas eu acredito. Mas a dizer que o Homem de Nazaré seja Deus todo poderoso onipresente e onipotente é demais para minha cabeça.  Como eu disse, não duvido da existência deste grande homem e líder espiritual. Mas infelizmente ele foi usado demais pelos poderosos de plantão e, dois mil anos depois, seu nome e sua figura ainda são fortes o suficientes para serem usados como arma para matar, roubar, extorquir e tirar as esperanças de muitas fiéis e crentes. Inocentes, claro. Mas manipuláveis pelos poderosos que agem em seu nome.

Passado e Futuro

Já pensei nisso algumas vezes. Mas fazendo um retrospecto não mudaria minha vida não. Fui e sou muito feliz a minha maneira. Apesar da paralisia infantil e de uma infância bastante difícil em hospitais e a adolescência em internatos e tudo mais… Mas não mudaria nada, não.

Mas se tivesse um carro que me possibilitasse viajar no tempo eu gostaria de conhecer Atenas e dialogar com os grandes filósofos e ouvir as histórias mitológicas pessoalmente. Ou um pulinho em Paris na época da efervescência cultural e tomar um cafezinho na calçada de algum bar  e discutir com os existencialistas. Quem sabe ainda assistir a uma apresentação de Mozart em Viena. Seriam viagens deste tipo que eu gostaria de fazer. Se possível, com minha mulher e meu filho.

Convivência com jovens e internet

Não me incomoda em nada. Gosto da convivência dos jovens e sempre é tempo de aprender alguma coisa. Demais a mais, este negócio de idade é muito relativo. O que importa é o estado de espírito. Porque será que todo “velho” tem este discurso hehehee

Cinema e Locadora

Sim eu procuro, na medida do possível, assistir a todos os filmes que são lançados todo mês. Claro que não preciso assistir mais os filmes do Van Dame & Cia., porque quem gosta deles vai alugar mesmo, independente da minha opinião. Quanto aos filmes pornôs no início da locadora, há 13 anos eu até que assisti alguns. Mas não curti muito não. Faz muito tempo que eu não vejo. Uma vez olhei com a minha mulher só para matar a curiosidade dela, mas ela também não gostou e, para ser sincero, nem rolou nada depois… Na locadora atendemos eu, minha mulher e meu filho quando não está no colégio ou no curso de inglês. Eu sou o porta-voz e o “atendente” que faz as indicações com mais prazer. Até porque, é o que eu gosto de fazer. Aqui em casa todo mundo gosta de cinema e temos os gostos bem parecidos. Meu filho, até pela idade, gosta mais de filmes de ação e guerra. Anteriormente minha mulher não gostava de filmes legendados e meu filho igualmente. Hoje todo mundo  detesta filme dublado. Nada que a boa convivência e bons argumentos não façam.

Eu sempre fui apaixonado por cinema. Desde criança. Diferentemente dos garotos da minha faixa etária, sempre gostei mais de Dramas, Suspenses, Romances ou filmes que me emocionassem ou que me fizesse ficar pensando sobre seu significado ou o que a obra estava tentando me dizer. Lembro que eu ficava vendo TV até de madrugada só para ver os filmes “sérios”  já que os filmes “pipocas” eram transmitidos mais cedo.

Até a pouco tempo eu colecionava tudo sobre o Oscar, premiações, fichas técnicas de filmes. Com a Internet este trabalho ficou mais fácil e hoje não tenho mais minhas fichas, já que a consulta agora é mais fácil pela grande rede. Revistas de cinema eu comprava também. Enfim, a sétima arte sempre me fascinou. Mas só fui ter vídeo cassete muito tempo depois. Ai foi uma loucura mesmo!.

Gastava uma fortuna em vídeo. Mas nunca locava lançamentos porque eu tinha uma necessidade enorme de ver os filmes clássicos e todos os filmes que eu sabia serem de boa qualidade e que poderiam me ensinar ou me emocionar. Ou ainda ver os filmes que os críticos falavam muito bem ou aquelas listas dos melhores filmes do século… Da década… Do ano. Eu sempre achava que estava em desvantagem e que tinha muita coisa boa para ver antes de ver os “lançamentos”. Aliás, eu ainda tenho esta sensação de que tenho alguns “pecados” cinematográficos para me redimir.  Só locava mesmo aqueles filmes empoeirados hehehe. Os atendentes ficam loucos comigo! Deviam pensar que eu era algum maluco hehehe.

Assim, quando a situação financeira melhorou, eu pensei: Em vez de gastar uma fortuna  com as locadoras, porque eu não monto uma para mim ? Bingo!! Consulta daqui…. Consulta dali… Fizemos as contas na ponta do lápis. Sim, porque é preciso planejar e não cair numa furada. Afinal de contas, não sou louco de botar dinheiro fora. Seria viável realmente já que no nosso bairro não havia locadora. Assim, eu e minha  mulher resolvemos abrir nossa própria vídeo-locadora.  A primeira coisa que pensei foi no nome do estabelecimento: MOVIOLA VÍDEO. Até hoje me perguntam porque este nome. Felizmente o negócio deu certo e no dia primeiro de julho do ano que vem, faremos 14 anos de mercado.

Gênero Cinematográfico

Vejamos… Realmente são raríssimos os filmes ditos de “terror” que conseguem me fazer ficar com medo ou apreensão. Não sei se isto é uma anomalia minha, mas não consigo entrar no “clima” do filme de terror. Não o que eu estou vendo ultimamente. Por sinal, faz anos e anos que não vejo um filme realmente de terror. De lembrança me vem à trilogia “A Profecia”, o “Exorcista” (o primeiro, porque as continuações foram uma porcaria), “Drácula de Bram Stoker” acho que estes. Talvez tenha me esquecido um ou outro. Mas realmente são estes que tenho lembrança. Os outros filmes do gênero só me fazem rir pelo ridículo das cenas;  pelo amadorismo dos atores; pela precariedade dos cenários e figurinos. Enfim, mais parecem filmes amadores com muito catchup e caras e bocas. Como terror são ótimas comédias.

Claro que eu não estou colocando neste saco de gatos o filme de suspense psicológico que eu aprecio sobremaneira. Adoro a obra do mestre Hitchcock, Brian de Palma, David Lynch e tantos outros diretores e filmes nesta linha. Minha crítica é só sobre os filmes Terror na linha monstros, serial killers tipo Jason e Fred Kruger ou aqueles filmes de Mortos Vivos que infestam minha prateleira vez que outra..

A questão que você coloca sobre a banalização da violência realmente isto acontece. Mas não creio que o cinema de terror tenha culpa nisso. Ele só ridiculariza as situações e as torna mais cômicas (ou deveria dizer, aterroriza?) Só isso. Agora a banalização da violência tem mais a ver com a nossa sociedade mesmo e a forma como as pessoas estão encarando este problema. Atualmente a coisa está de tal forma tão enraizada na nossa cultura que já não ficamos mais chocados com a violência. Quando vemos uma criança pedindo esmolas nas sinaleiras da vida, isto não nos choca mais. Aliás, fingimos que nem é conosco o assunto e muitas vezes viramos a     cara pro lado para não ver. Quando vemos famílias inteiras morando em baixo da ponte, logo dizemos que isto é culpa do governo, etc.. etc… Quando assistimos nos tele-jornais toda brutalidade do dia-a-dia, continuamos a comer, confortavelmente em nossa sala de jantar, como a visualizar uma situação que não nos diz respeito.

A violência é diária e isto nos anestesiou de tal forma que banalizou mesmo. Claro que o cinema aproveita a onde e também faz seu jogo, afinal, precisa de público pagante para produzir mais e mais. A arte seja ela cinema, literatura, artes plásticas, etc… Só reflete este comportamento. Evidente que existem casos em que ela acaba sendo agente transformador e transgressor e algumas pessoas, por diversas razões psicológicas ou culturais, não possuem o discernimento para saber o que é arte e o que é realidade.

Mas a culpa está em nós mesmo. Em não termos mais a capacidade da indignação. Em não questionarmos mais a nós mesmos. Em não termos mais o senso crítico e a capacidade de discernimento do que é ou não ético. Do que é socialmente válido ou não. Estamos individualistas demais. E todo ser individualista só olha pro seu umbigo e, conseqüentemente, não faz nada para mudar o que acontece a sua volta. Esta cultura de acreditar que o problema não é nosso, que o culpado é o governo ou o vizinho do lado é que nos levou a esta situação. Entre outros fatores evidentemente.

A íntegra desta entrevista pode ser lida no seguinte endereço:

http://www.cinemaemcena.com.br/forum/forum_posts.asp?TID=12561&PN=1

Além deste blog, você pode encontrar-me nos seguintes sites de relacionamentos:

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