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Ben-Hur

Publicado: 08/12/2010 em Drama

Uma verdadeira obra-primaBen-Hur é uma produção de 1959 dirigido por William Wyler e conta a saga de Judah Bem-Hur (Charlton Heston) um influente mercador judeu que vive em Jerusalém na época de Jesus Cristo. Com o retorno à cidade de seu amigo de infância Messala (Stephen Boyd)  as coisas se complicam visto que ambos estão em lados opostos politicamente uma vez que Massala agora é chefe das Legiões Romanas e Ben-Hur não aceita a ocupação da sua terra  pelos romanos. Por estas divergências Ben-Hur é condenado a viver como escravo em uma galera romana.  Anos mais tarde retorna à Jerusalém para vingar-se de seus inimigos e libertar sua cidade da tirania. Encontra sua família na miséria, seu patrimônio lapidado e a mãe vivendo numa gruta de leprosos longe da cidade.

 

 

 

 

 

 

 

A grande cena do filme é, sem sombra de dúvida, a corrida de bigas e a luta que é travada entre Ben-Hur e Messala na arena. A grandiosidade da cena impressiona já que não existiam efeitos especiais naquela época. A Arena custou um milhão de dólares (um dinheirão para a época) e foram utilizados 76 cavalos (sendo 4 cavalos brancos trazidos da Tchecoslováquia em avião fretado) e  8.000 figurantes. Esta sequencia levou 94 dias para ser filmada e foram utilizadas cinco câmeras e uma grua de mais de 30 metros de altura para dar ao espectador a visão de estar sobrevoando a arena. Após as filmagens, os cenários foram todos destruídos para evitar que fossem utilizados em outras produções italianas.

Por todo este esforço, e por tratar-se de uma obra-prima, o filme recebeu os seguintes prêmios:

Oscar 1960 (EUA) – 11 vitórias de 12 indicações

Melhor Filme

Melhor Diretor (William Wyler)

Melhor Direção de Arte a Cores

Melhor Ator Principal (Charlton Heston)

Melhor Ator Coadjuvante (Hugh Griffith)

Melhor Fotografia

Melhor Figurino a Cores

Melhores Efeitos Especiais

Melhor Montagem

Melhor Trilha Sonora

Melhor Som

Indicação:

Melhor Roteiro Adaptado

Globo de Ouro 1960 (EUA) – 4 vitórias de 5 indicações

Melhor Filme – Drama

Melhor Diretor (William Wyler)

melhor Ator Coadjuvante (Stephen Boyd)

Recebeu um prêmio especial, dado a Andrew Marton por sua direção na cena da corrida de bigas.

Indicação:

Melhor Ator – Drama (Charlton Heston).

BAFTA 1960 (Reino Unido)

Venceu na categoria de melhor filme.

David 1961 (Itália)

Venceu na categoria de melhor filme estrangeiro.

Grammy Awards 1960 (EUA)

Indicado na categoria de melhor álbum de trilha sonora para cinema ou televisão.

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O Conselho Nacional de Educação resolveu censurar o livro “Caçadas de Pedrinho” de Monteiro Lobato por considerar a obra racista. Tudo porque em certas passagens do livro está escrito “Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão” e em outra passagem “Não é à toa que os macacos se parecem tanto com os homens. Só dizem bobagens” A levarmos a sério esta afirmativa – de racismo e preconceito por parte de Monteiro Lobato, deveríamos igualmente censurar Machado de Assis que em uma de suas obras escreveu: “Por que bonita, se coxa, e por que coxa, se bonita?” Quem sabe reescrever o poema Navio Negreiro de Castro Alves e deletar inúmeras passagens como esta: “No entanto o capitão manda a manobra, E após fitando o céu que se desdobra, Tão puro sobre o mar, Diz do fumo entre os densos nevoeiros: Vibrai rijo o chicote, marinheiros! Fazei-os mais dançar!…” Quer dizer então que agora o Conselho Nacional de Educação vai tomar para si o direito de invadir editoras mundo a fora, com se donos da verdade absoluta fossem, para recolher os livros de Monteiro Lobato, Machado de Assis, Castro Alves e tantos outros escritores que “ousaram” escrever suas histórias longe da hipocrisia do politicamente correto (termo e conceito estes que nem existiam na época)  por retratarem fatos, idéias e conceitos dentro daquela perspectiva histórica.

Por mais cruel que isso pareça, naquele contexto da época considerar um negro um ser inferior e desprezar os deficientes físicos eram atitudes normais tanto na literatura como na convivência social de todos os povos. Assim não fosse, não teríamos a escravidão que foi tolerada e explorada por todos, inclusive pela religião católica e muitas outras. Ou os nascidos com deficiência que eram mortos na Grécia. Tais atitudes e comportamentos ignóbeis devem e precisam ser transformados em livros para serem lidos e aprendidos por todos (até mesmo crianças e jovens) para uma tomada de consciência e, principalmente, para uma mudança de atitude. Esconder isto não elimina, de forma alguma, nossa culpa e nossos atos no passado e nem nos torna pessoas melhores que eles. Esta atitude (de esconder o passado) só nos torna, a todos, pessoas hipócritas e principalmente cordeiros de inescrupulosos censores do pensamento.

Estes senhores engravatados reclusos em seus gabinetes refrigerados longe da realidade deveriam ler 1984 de George Orwell. Talvez estes censores acreditem participar do “Ministério da Verdade” e investidos de inquisidores da “cultura do pensamento” tomem para si o direito reescreverem os livros que possuem personagens ou narrativas ditas como “politicamente incorretos” (ou pretensamente racistas e preconceituosos) para os tornarem livros dentro dos parâmetros do aceitável  “politicamente correto”.  A Continuar assim, em pouco tempo estaremos a reeditar jornais e livros de história para esconder nosso passado e na medida seguinte prender seus escritores, editores e historiados. Até chegarmos ao dia em que estaremos a queimar em praça pública livros e seus autores. Já vimos este filme!

Os membros do Conselho Nacional de Educação deveriam se preocupar com o analfabetismo funcional de jovens que terminam o ensino médio sem um mínimo de consciência crítica ou sem condições mínimas interpretarem um texto simples. Muitos jovens saem das escolas de ensino médio sem nunca terem lido um livro – ou quando o fazem – não possuem o discernimento para entender o que leram. O Conselho deveria igualmente se preocupar com a formação dos professores e habilitá-los a exercerem esta atividade de forma mais abrangente e em melhores condições de trabalho. Dar-lhes perspectivas de crescimento profissional e salários dignos além é claro de construírem escolas e bibliotecas e não censurar livros! A ficarem a procurar preconceitos e racismos em livros cujo contexto histórico é diferente da atual é no mínimo uma perda de tempo e uma irresponsabilidade com a história da evolução humana. É preciso que se tenha conhecimento histórico dos fatos, da realidade do dia-a-dia e do estilo de vida dos nossos antepassados para que possamos evitar os erros e evoluirmos como seres humanos. A vivermos neste ambiente asséptico que querem nos enclausurar os senhores do CNE viveríamos num mundo hipócrita com conhecimento de um passado falso e a perspectiva de um futuro sem a menor consciência crítica.

Não somos crianças para que o CNE venha a nos tapar o sol com a peneira e dizer-nos que o mundo sempre foi politicamente correto! Até porque, se hoje temos esta consciência da igualmente de respeito ao negro, ao deficiente e as todas as minorias é em razão do nosso conhecimento das condições de vida que estas pessoas levaram e os sofrimentos por que passaram.  Só se aprende e se valoriza a pessoa na medida em que tomamos consciência das diferenças (sejam elas de raça, cor, sexo e religião) e da necessidade do respeito e da valorização do indivíduo.

Por sorte os acadêmicos da Academia Brasileira de Letras (ABL) reunidos em plenário colocaram uma pá de cal nesta polêmica com a seguinte nota: “cabe aos professores orientar os alunos no desenvolvimento de uma leitura crítica. Um bom leitor sabe que tia Anastácia encarna a divindade criadora dentro do Sítio do Picapau Amarelo. Se há quem se refira a ela como ex-escrava e negra, é porque essa era a cor dela e essa era a realidade dos afro-descendentes no Brasil dessa época. Não é um insulto, é a triste constatação de uma vergonhosa realidade histórica”. A ABL sugeriu ainda que em vez de proibir as crianças de saberem disso (racismo e preconceito) “seria muito melhor que os responsáveis pela educação estimulassem uma leitura crítica por parte dos alunos”. Felizmente a ABL teve o bom senso de barrar este disparate e esta censura esdrúxula ao livro de Monteiro Lobato e colocá-lo novamente nas salas de aula. Que nossas crianças tenham acesso a obra deste genial escritor que fez parte de gerações de escritores no Brasil e no exterior. A estes senhores uma palavra: B R A V O!

A Obra Prima de Akira Kurosawa

O cineasta japonês Akira Kurosawa resolveu filmar seus sonhos e dirigiu o filme Sonhos. Este filme é uma produção japonesa e americana de 1990 e contém oito histórias distintas das divagações no travesseiro do grande diretor Kurosawa. Este trabalho, por sua beleza plástica, foi indicado ao Oscar de Melhor Fotografia.

No “sonho” intitulado Corvos um estudante de artes plásticas está em visita a um museu e fica a apreciar as obras expostas de Vincent Van Gogh. De repente o jovem encontra-se dentro dos quadros do grande pintor holandês. Assim ele parte rumo ao encontro do artista para tentar aprender seu ofício e saber como mestre produz sua arte. Interpretando o pintor Van Gogh está o cineasta americano Martin Scorsese já caracterizado com um curativo a indicar a perda da orelha do personagem histórico. Sem dar muita conversa o pintor segue seu caminho deixando o estudante perdido entre seus inúmeros quadros. Segue o jovem pintor outras trilhas na tentativa de reencontrá-lo. Descobre um Van Gogh amargurado já no fim da vida a pintar seu último quadro intitulado “Campo de Trigo Com Corvos”.

Segundo os especialistas a tela “Campo de Trigo Com Corvos” (concluída em julho de 1890) mostra o estado de espírito do artista na ocasião. Um céu ameaçador e escuro, os três caminhos no campo, sendo o central um beco sem saída e os dois outros de final ou percurso desconhecido e os corvos símbolos de maus presságios ou mesmo de morte. Van Gogh se suicida alguns dias após concluir esta tela.

 

Campo de Trigo Com Corvos

 

Eis a cena “Corvos” que vale a pena rever para apreciarmos a beleza das telas do grande mestre Vincent Van Gogh e sua capacidade de expressão nas cores vibrantes e suas mensagens artísticas.

Filhos da Esperança

Publicado: 09/10/2010 em Drama

Sempre depositamos nossas esperanças nos nossos filhos. De uma forma ou de outra idealizamos para eles todas as nossas perspectivas de um futuro promissor, de uma felicidade eterna, saúde plena e muitas realizações. Por vezes, projetamos para nossos filhos todos os nossos sonhos não realizados e desejamos que eles possam ter as experiências de vida que gostaríamos de ter vivido. Como se os pais procurassem uma segunda oportunidade de realizar seus próprios objetivos. Neste particular é que a convivência entra em choque visto que cada ser deve trilhar seu próprio caminho e viver sua própria experiência. O filme Filhos da Esperança, escrito e dirigido por Alfonso Cuarón vai um pouco além desta premissa. A questão aqui levantada é de salvação e continuação da própria espécie humana e neste sentido os filhos aqui representados são muito mais que meros “desejos” individuais, mas a redenção de toda a humanidade.

Por esta razão, a cena em que nasce um bebê em pleno conflito bélico num prédio em ruínas cercados de inimigos a metralhar a todos é um momento inesquecível. Quando o choro da criança se faz ouvir a esperança toma conta dos que estão à volta. Por dezoito anos a humanidade não via nascer um novo ser e ter novamente esperança de futuro faz com que este momento seja sublime e de adoração plena. Quando o exército percebe a presença da criança o tiroteio cessa, o tumulto dá lugar ao silêncio e só se ouve o choro inocente do bebê ao colo da mãe. Na saída do prédio em ruína, todos que assistem a mãe com seu filho ficam em estado de graça e, em referência, dão passagem para que a criança deixe este lugar perigoso e possa ir para um lugar onde será bem cuidada. Até mesmo o inimigo faz reverência ao pequeno ser com a consciência que só ele é a esperança de todos.

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma cena que merece ser lembrada por representar a nossa perspectiva de futuro e que sempre é possível recomeçar do caos.

Agora é o momento de puro romantismo deste blog. Evidentemente que um espaço que se dedica a falar, entre outras coisas, de Cenas Antológicas da sétima arte não poderia deixar de citar o filme ganhador de 11 Oscars da Academia de Cinema de Hollywood. Claro que estou me referindo a Titanic, dirigido por James Cameron que se autoproclamou “Rei do Mundo” ao receber as onze estatuetas em 1998. O filme é brilhante sob todos os aspectos: Direção de Arte primorosa; figurinos bem elaborados e fiéis à época, pela canção “My Heart Will Go On” na voz de Celine Dion (que tocou nas rádios até a exaustão); pela fotografia deslumbrante e é claro pelo desempenho de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet.

Hoje muita gente torce o nariz ao falar de Titanic e dizem em alto e bom som que a música é “pegajosa” e “melosa” demais e que o “romantismo” exagerado entre Rose (Kate Winslet) e Jack (DiCaprio) tornou o filme muito clichê e coisa e tal. Danem-se! Ninguém ganha onze Oscar à toa! Na época de seu lançamento fez jorrar rios de lágrimas nas platéias pelo mundo inteiro e a famosa cena “I’M FLYNG, JACK” tornou-se clássica e memorável.

Deixe-se emocionar mais uma vez e “voe” com Jack e Rose neste momento inesquecível.

“I’M FLYNG, JACK!”

Só pra não deixar em branco cito a seguir os 11 Oscars (das 14 Categorias a que foi indicado) que Titanic recebeu em 1998:

Filme – James Cameron e Jon Landau

Direção – James Cameron

Direção de Arte – Peter Lamont e Michael D. Ford

Fotografia – Russell Carpenter

Mixagem de Som – Gary Rystorm, Tom Johnson, Gary Summers e Mark Ulano

Figurino – Deborah Lynn Scott

Edição de Som – Tom Bellfort e Christopher Boyes

Efeitos Visuais – Robert Legato, Mark A. Lasoff, Thomas L. Fischer e Michael Kanfer

Edição – James Cameron, Conrad Buff IV e Richard A. Harris

Trilha Sonora – James Horner

Canção Original – James Horner e Will Jennings por My Heart Will Go On

Que Al Pacino é um excelente ator ninguém duvida. Seus trabalhos sempre são impregnados de verdade, convicção e interpretação soberba. Quem não se lembra de seu desempenho como o tenente-coronel Frank Slade no Filme Perfume de Mulher dirigido por Martin Brest?

Antes de morrer Frank Slade (Al Pacino) contrata o jovem Charlie Simms (Chris O’Donnell) para ajudá-lo a passar um fim de semana inesquecível em Nova York.

A Cena do tango ficou famosa pela plasticidade, pelo desempenho impecável dos bailarinos e é claro pela música “Por Una Cabeza” de Carlos Gardel e Alfredo Le Pera.

Por sua interpretação em Perfume de Mulher, Al Pacino recebeu o Oscar e o Globo de Ouro como melhor ator no ano de 1993.

União Perfeita Entre Roteiro, Interpretação e Trilha Sonora

A bela atriz Jennifer Connelly muito jovem já demonstra talento em seu primeiro trabalho de atriz no papel de Débora Gelly na obra prima de Sergio Leone Era Uma Vez na América. Pena que não escolheu com critério seus trabalhos posteriores e ainda não foi devidamente explorada como a atriz competente que é. Robert DeNiro está no seu auge como ator. Sua interpretação para o conturbado, apaixonado e arrependido David Aaronson é simplesmente arrasador.

Sergio Leone faz aqui uma obra prima sobre as escolhas que fazemos na vida e suas consequências. David Aaronson (Robert DeNiro) é um sujeito que amou perdidamente Debora Gelly mas não soube (por inúmeras circunstâncias e escolhas) mantê-la ou amá-la como gostaria. Preferiu seguir outro destino, mas sempre teve esperanças de conquistá-la ou mesmo fazer com que ela aceitasse viver em sua companhia mesmo agindo como gangster. Claro que um romance nestes termos é impossível e Debora resolve seguir seu rumo em busca da sua carreira de bailarina. Cada um segue então por caminhos opostos, mas sempre um amor latente a ligá-los por anos e anos de separação.

Muito mais que retratar este amor impossível e estas escolhas (erradas ou não) que fazemos na vida o filme retrata ainda o valor da amizade, do companheirismo e, acima de tudo, da cumplicidade nos atos e em assumir as responsabilidades.

A trilha sonora de Ennio Morricone é quase como um personagem deste drama humano. Impossível não sentir um aperto no coração ao ouvir o “Deborah’s Theme” e seguir o olhar perdido de David trinta e cinco anos depois ao relembrar os momentos da juventude onde “espiava” o bailado de Debora no bar do pai dela. Relembrar estes momentos e ter a perspectiva da perda e a certeza da impossibilidade de ter vivido um grande amor. Sempre fico muito emocionado ao relembrar esta cena.

O filme é fantástico na sua reconstituição de época numa direção de arte eficiente. A interpretação dos atores mirins igualmente interessantes e convincentes assim como a atuação de James Woods, Elizabeth McGovern, Treat Wiliams, Joe Pesci, Danny Aiello e James Russo. Sem sobra de dúvida o melhor filme de Gangster de todos os tempos.

Evidentemente que a cena aqui retratada é o momento em que David Aaronson relembra seu grande amor ao som da inesquecível obra prima “Deborah’s Theme” de Ennio Morricone.